Segurança em MS: Uma Semana de Contrastes Entre Operações e Tragédias Cotidianas

121 homicídios Campo Grande 2025

Segurança em MS: Uma Semana de Contrastes Entre Operações e Tragédias Cotidianas

A semana que se encerra em Mato Grosso do Sul revela dois lados distintos da realidade de segurança pública no estado: enquanto autoridades apresentam planos estratégicos ambiciosos, a criminalidade violenta continua marcando rotina das comunidades. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apresentou, nesta quinta-feira (27), o Mapa Estratégico 2025–2030, marco que consolida 14 objetivos para fortalecer a segurança até 2030. No mesmo dia, porém, a polícia deflagrou megaoperação contra quadrilha que movimentou R$ 500 milhões em tráfico de drogas, com quatro prisões em Campo Grande, Corumbá e Mundo Novo. O contraste evidencia a urgência de ações imediatas enquanto o Estado constrói sua visão de longo prazo.

O peso das tragédias cotidianas

Os números mais preocupantes vêm das ruas. Campo Grande acumula 121 homicídios dolosos entre janeiro e novembro de 2025, contra 113 no mesmo período de 2024—um aumento de 7%. A média representa um assassinato a cada três dias na capital sul-mato-grossense, com crimes distribuídos em bairros como Nova Lima, Lageado, Parque do Sol e Pedrossian. Crimes ocorrem em via pública, com execuções em emboscadas e durante o dia, demonstrando padrões distintos de violência que atingem comunidades inteiras.

Novembro emergiu como um período crítico, especialmente para mulheres. O mês registrou 6 feminicídios em menos de 30 dias, transformando-o no mais violento para mulheres em MS. Até 24 de novembro, o estado somava 37 feminicídios em 2025, com impacto devastador em famílias e comunidades. Pedidos de socorro à rede de proteção aumentaram quase 56%, pressionando serviços já sobrecarregados de atendimento.

Operações contra crime organizado

A Operação Efeito Helicóptero, deflagrada esta semana em sua segunda fase, evidencia mobilização contra crime organizado. Quatro integrantes de quadrilha investigada por tráfico e lavagem de dinheiro foram presos no estado, com 29 mandados de prisão cumpridos em cinco estados. A organização movimentou R$ 500 milhões em apenas um ano, operando através de ramificações em Campo Grande, Corumbá, Eldorado e Mundo Novo. Paralelamente, a PRF e Denar apreenderam 332 quilos de cocaína em operação conjunta.

Essas ações demonstram capacidade de resposta das forças de segurança, mas também revelam a magnitude da infraestrutura criminosa enraizada no estado.

Planejamento para comunidades mais seguras

O Mapa Estratégico 2025–2030 reorganiza 14 objetivos em perspectivas de Fortalecimento Institucional, Processos Internos e Retorno à Sociedade. A missão atualizada reafirma: “Proteger as pessoas, o patrimônio e o meio ambiente, promovendo justiça e segurança pública.” Wagner Ferreira da Silva, secretário-executivo de Segurança Pública, enfatizou que a próxima etapa exige “foco e execução,” com monitoramento e avaliação contínuos para colocar políticas públicas em prática.

Para comunidades marcadas por traumas recentes—desde execuções em padarias até emboscadas premeditadas—o plano precisa traduzir-se em segurança tangível: patrulhas preventivas, inteligência que antecipe conflitos e programas de ressocialização que ataquem raízes da violência.

O chamado por ação imediata

Enquanto estratégias de longo prazo são essenciais, as comunidades vivem realidade urgente. Cada homicídio, cada feminicídio, cada operação contra tráfico são eventos que reverberam em famílias, bairros e na confiança coletiva. O diferencial entre anúncios de segurança pública e segurança vivida pela população resolve-se na velocidade de execução—da academia de polícia à rua, da tecnologia de inteligência ao patrulhamento preventivo.

MS tem estrutura, conhecimento técnico e agora planejamento robusto. O desafio é transformar compromissos em experiência concreta de segurança para quem vive nas comunidades mais vulneráveis.

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